A Realidade Documental: a captura do dia a dia

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Neste artigo vamos abordar a fotografia documental — como ela molda nosso relacionamento com os eventos atuais e uns com os outros. Com câmeras em quase todas as mãos ou bolsos, estamos prontos para captar as notícias assim que elas acontecem, e as mídias sociais nos permitem compartilhar nossas fotos em um instante. Tudo isso significa que esperamos um fluxo constante de imagens da vida real que nos mantenha atualizados sobre o que está acontecendo ao nosso redor.

Isso levanta algumas perguntas muito interessantes: Como viemos a pensar em fotos como fonte de notícias? Como as imagens documentais moldam nossa consciência coletiva e nosso senso moral comum? E como a atual proliferação de imagens da vida real estão impactando as tendências em toda a fotografia, incluindo o universo dos bancos de imagens?

PETER / ADOBE STOCK

Quando o jornalismo se tornou visual

Houve um desenvolvimento tecnológico crítico que tornou possível o fotojornalismo — a câmera de 35 milímetros. Pequenas e rápidas o suficiente para capturar a vida real, não apenas retratos criados, as primeiras câmeras Leica 35mm comercialmente disponíveis chegaram no mercado em meados da década de 1920.

À medida que os fotógrafos começaram a documentar a forma como as pessoas realmente viviam, suas fotografias começaram a moldar uma compreensão compartilhada dos eventos atuais, especialmente das crises. Durante a Grande Depressão, a Administração de Reassentamento do New Deal percebeu o poder das imagens para impactar a opinião pública. Trabalhando para a Administração, Dorthea Lange capturou de forma célebre uma das imagens mais emblemáticas e dolorosas da época, “Migrant Mother” (Mãe Migrante). A fotografia de 1936 mostra uma mãe cuja expressão facial conta a história de sua luta para sobreviver e alimentar seus filhos. De acordo com Lange, ambas as mulheres reconheceram que o ato de fotografar tinha o potencial de reverberar muito além do encontro entre elas:

“Eu não perguntei o seu nome ou sua história. Ela me disse sua idade, que ela tinha trinta e dois. Ela disse que estavam vivendo à base de vegetais congelados dos campos vizinhos, e de pássaros que as crianças matavam. Ela tinha acabado de vender os pneus do seu carro para comprar comida. Ali ela se sentou naquela tenda inclinada, com seus filhos encostados à sua volta, e parecia saber que minhas fotos poderiam ajudá-la, e então ela me ajudou. Havia nisso uma espécie de igualdade”.

Naquele mesmo ano, a Life Magazine foi lançada e se tornou um sucesso instantâneo. Como um dos primeiros periódicos centrados em fotografia, a Life empregou legendas e fotografias vibrantes como uma nova forma de reportagem. Em 1943, enquanto cobria os primeiros dias da Segunda Guerra Mundial, a Life desafiou a proibição do Pentágono contra a publicação de fotografias de soldados mortos, e ganhou. Quando eles passaram a imagem sem precedentes de soldados mortos em combate estendidos sobre a praia de Nova Guiné, eles mudaram para sempre como os americanos experienciavam a guerra de dentro de suas casas.

KANINSTUDIO / ADOBE STOCK

Desde então, o fotojornalismo continuou a produzir as imagens icônicas que todos nós associamos aos principais eventos mundiais. Quando você pensa sobre a Guerra do Vietnã, você deve se lembrar da devastadora e vencedora do prêmio Pulitzer “Napalm Girl” (Menina do Napalm), enquanto que a imagem de Mary Ann Veccio, vencedora do prêmio Pulitzer de 1970, gritando sobre o corpo de um manifestante anti-guerra na Universidade de Kent continua sendo um símbolo permanente dos protestos e confrontos violentos no país. Da mesma forma, a crise atual na Síria pode estar para sempre simbolizada na fotografia desoladora do refugiado sírio afogado de três anos de idade, Aylan Kurdi, cujo corpo foi arrastado à praia pelo mar na Turquia.

As questões éticas por trás da documentação 

Com o tremendo poder dos fotojornalistas para forjar a opinião pública e levar as pessoas à ação, vêm importantes responsabilidades éticas. Por exemplo, a NPR reportou que, na década de 1980, as ONGs que trabalhavam para fornecer ajuda alimentar aos africanos do leste atingidos pela fome foram atacadas pelas imagens em suas campanhas publicitárias. Fotografias de crianças famintas ajudaram a levantar milhões de dólares, mas os críticos argumentaram que os sujeitos foram enquadrados como vítimas incapazes, despojados de sua dignidade e ações. Em vez de “pornografia de pobreza”, a nova geração de imagens de angariação de fundos concentra-se em sujeitos ativos e empoderados.

Conversando com a NPR, Jennifer Lentfer, diretora de comunicações na IDEX, uma organização internacional, sugeriu uma bom princípio básico para os fotógrafos: “Se essa pessoa em uma foto fosse seu sobrinho, seu filho, sua avó, você gostaria que eles aparecessem nesse anúncio? Se a resposta for não, você passou dos limites.”

Nosso apetite pela realidade está crescendo

Desde os primeiros dias do fotojornalismo, esperamos não somente ouvir as notícias, mas também visualizá-las. Hoje, todos, desde jornalistas profissionais até jornalistas cidadãos, estão capturando e compartilhando imagens em tempo quase que real das últimas notícias — desde protestos contra a violência policial à política. Para ajudar os designers a manter o ritmo, estamos formando parceria com a Reuters e o USA TODAY Sports para adicionar imagens editoriais abrangentes das últimas notícias, esportes, negócios, entretenimento e outros mais.

SERGIO MORAES / REUTERS

Pensamos que esse ambiente visual em mudança também está impactando a fotografia de banco de imagens. As pessoas simplesmente esperam imagens autênticas e naturais em todos os estilos de design.

Para Mais Informações:

  • Confira aqui para saber mais sobre a história por trás da imagem “Migrant Mother” de Lange.
  • Saiba sobre a luta da Life Magazine para publicar sua imagem dos soldados mortos, e como a foto foi capturada aqui.
  • Assista um vídeo de Nick Ut descrevendo o dia em que ele tirou a foto “Napalm Girl”.
  • Para saber mais sobre as fotos dos tiroteios da Universidade de Kent, leia aqui.
  • E para uma boa visão geral da história do fotojornalismo, visite o trabalho do Dr. Ross Collins.

 

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Posted on 10-13-2017


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